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Sempre que a sociedade é surpreendida por noticias que demonstram o cada vez mais elevado grau de insegurança a que está sujeito o cidadão comum, teses e conjecturas vindas de todos os lados são lançadas aos quatro ventos, na tentativa de explicar as razões da ocorrência e as falhas que as ocasionaram.
Exemplo típico desse comportamento pôde ser observado no episódio do seqüestro de Patrícia Abravanel (lembram-se?) e na tomada como refém de seu pai, o apresentador Silvio Santos, em sua própria casa, no dia seguinte ao pagamento do resgate e libertação da filha. A população ainda comentava o desfecho “feliz” do seqüestro, quando tomou conhecimento da ousadia do seqüestrador que, para espanto de todos, logrou entrar na casa do apresentador e fazê-lo refém por cerca de 8 horas.
Esses episódios, que vão se tornando comuns nos grandes centros urbanos, servem para mostrar o quão despreparados estamos para enfrentar a violência. Mesmo aqueles que possuem grande projeção pessoal, profissional e elevado poder aquisitivo e que, tendencialmente, teriam todas as condições para adotar um esquema de segurança eficiente, não estão a salvo de ações audaciosas de seqüestradores e assaltantes.
Nessas horas, como sempre acontece após as catástrofes e situações onde a vida é posta em risco, é que muitos começam a perceber que estão vulneráveis e, temerosos, passam a se preocupar com sua segurança e de sua família.
Uma das providências mais comuns nessas situações e aquela que primeiro vêm à mente do cidadão comum, desde que tenha condições financeiras para tal, é a contratação de agentes de segurança privada, com o objetivo de garantir a proteção pessoal e, com isso, tentar evitar os riscos de um seqüestro ou de um assalto. Prevenir, é claro, é sempre melhor que remediar!
Entretanto, de nada vale essa providência se a contratação de pessoal especializado em segurança pessoal privada não for precedida de uma rigorosa seleção e se o treinamento não for enfocado como o fator primordial. Nesses casos, é sempre recomendável contar com a orientação de um profissional de segurança com conhecimentos que permitam arquitetar um esquema de proteção condizente com os riscos a que estão expostas as pessoas a serem protegidas. É indispensável que haja uma análise criteriosa dos riscos para que se possam estabelecer as medidas de segurança adequadas para cada situação.
Muitas pessoas, até hoje, questionam e não conseguem acreditar como pôde o seqüestrador de Patrícia Abravanel retornar ao local do seqüestro no dia seguinte a sua libertação, adentrar a residência e fazer um refém, tudo com tamanha facilidade! É evidente que a “equipe de segurança” que prestava serviço na mansão, representada provavelmente por um simples porteiro, não possuía o perfil, a habilitação e muito menos o treinamento necessário para atuar como um agente de segurança.
Fica patente para os especialistas, e mesmo para os leigos, a importância dos treinamentos a que deve se submeter um agente de segurança para dar conta de sua missão. Não basta, certamente, ter participado do curso regular de vigilância com extensão em segurança pessoal privada. Diversos outros cursos, complementares ao aprendizado oficial, existem no mercado com o objetivo de aprimorar os conhecimentos e habilidades dos agentes, tornando-os aptos a executar um trabalho profissional e mais eficiente. São cursos em que o destaque está na prática, nos quais as táticas e técnicas de ação são exaustivamente passadas aos alunos, preparando-os para adotar as medidas preventivas necessárias em cada situação, assim como atuar nos momentos certos.
Alguns desses treinamentos dedicam especial ênfase aos procedimentos anti-seqüestro e incluem em seu programa técnicas de tiro tático, tiro embarcado, pilotagem(direção defensiva, ofensiva e evasiva), abordagem, bloqueios, escolta, técnicas operacionais e de comunicações, medidas de emergência, técnicas de defesa pessoal, entre outras disciplinas.
A reciclagem periódica, do mesmo modo, é fundamental para que os agentes possam manter-se atualizados nas eventuais novas formas de ação dos marginais e aprender como neutralizá-las.
Não nos cansamos de bater nesta mesma tecla: treinamento, treinamento e mais treinamento! É isto que deve estar na cabeça do homem de segurança que se dedica à proteção de vidas e do patrimônio de outrem e, por que não dizer, de si próprio. Por isso, fazemos nossas as palavras do consultor de segurança Vinícius Cavalcante, que bem expressa o papel do profissional de segurança: “Ao contrário de um cidadão comum, o bom profissional de segurança não pode confundir a boa sorte com as boas táticas. Em se tratando da proteção de pessoas, o fato de nenhuma adversidade ter ocorrido deverá estar associado ao bom planejamento da segurança, a sua execução disciplinada e escrupulosa, ao emprego de equipamentos e recursos adequados, a excelência do treinamento e a conscientização dos protegidos de que devem cooperar com sua segurança...”.
José Tarcisio de Carvalho Neves, CPP, DSE Diretor Superintendente da Emforvigil
* artigo publicado na Revista do SESVESP
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