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Sempre que ocorrem casos em que as empresas são afetadas e a responsabilidade maior é imputada à insegurança, considerando o termo “insegurança” como a falta ou deficiência de medidas de proteção, providências imediatistas e, na maioria das vezes pouco eficientes, tendem a ser adotadas pelos executivos principais. E lá vai o profissional responsável pela segurança, correndo para as muitas reuniões de avaliação, cabendo-lhe “fazer das tripas, coração” para sustentar e justificar suas idéias, e quiçá até seu emprego. A insegurança afeta o ambiente empresarial, gera sensações de medo e impotência e põe em risco a capacidade de sobrevivência das empresas. Fica evidente para os executivos que ninguém ou nenhum negócio está livre de ameaças e qualquer um pode ser a próxima vítima. E essa constatação costuma ser apavorante! A primeira reação, via de regra, é a adoção de medidas que envolvem o reforço das condições de segurança física. Além disso, as empresas tendem a concordar com planos e restrições que possivelmente já haviam sido recomendados pelo gerente de segurança (e não acatados no momento oportuno) e submeter-se aos custos, normalmente elevados, de tais adaptações, até mesmo em função das circunstâncias. Com o passar do tempo, contudo, a situação se normaliza, há o relaxamento das medidas de proteção e o inevitável corte de despesas consideradas inadequadas e/ou desnecessárias. A segurança reclama, contesta, mas é obrigada a aceitar. Até que outro fato, talvez de maior proporção que o anterior, surpreenda novamente a empresa. Inicia-se, então, um novo ciclo de ações, semelhante ao que acabamos de ver, mas certamente agravado pelo ceticismo e maior desconfiança no trabalho do responsável pela segurança e sua equipe. Por isso, para enfrentar as situações de insegurança é fundamental que haja o envolvimento da alta administração, associado a um planejamento de ações de curto, médio e longo prazos. O responsável pela segurança, por sua vez, ademais de possuir boa capacitação técnica em sua área de atuação, deve ter sólidos conhecimentos de gestão e capacidade para “convencer” os principais executivos da empresa, de que a segurança (ou a insegurança) depende de fatores que envolvem a cultura da organização, sua estrutura, investimentos em proteção, vontade política, procedimentos e práticas, entre outros. Por isso, para que a resposta seja eficiente, é necessário que sejam elaborados programas que reduzam as vulnerabilidades a que o negócio está exposto e potencializem as medidas de proteção, de modo a combinar, obrigatoriamente, proatividade, prevenção e reação. A proatividade refere-se às ações que devem ser adotadas pela empresa para que a segurança efetivamente aconteça; isto é, são os procedimentos relacionados com os públicos interno e externo, de modo a fazê-los conhecer os riscos e prepará-los para enfrentar as diferentes situações de insegurança. Implica, entre outras medidas, em avaliar as razões de insatisfação dos empregados, problemas com clientes, fornecedores, vizinhos, órgãos públicos, etc. e determinar as ações necessárias para convertê-los em aliados, numa eventual situação de risco. O zelo sistemático pelas relações com aqueles que fazem parte - direta ou indiretamente - da empresa, melhora seu prestígio junto aos mesmos e facilita as tarefas de identificação de potenciais riscos. A prevenção é, basicamente, o conjunto de atividades orientadas a controlar riscos e evitar perigos. Por ser a prevenção a atividade primordial da segurança empresarial, percebe-se sua indiscutível importância nas empresas, devendo fazer parte de sua filosofia e permear todos os seus departamentos e setores. O trabalho da segurança se expressa por meio de políticas que se concretizam em programas, planos e procedimentos de cumprimento obrigatório por todos os que compõem a empresa ou estão em seu entorno. Levando em consideração o público interno e a assertiva de que as pessoas são as maiores fontes de insegurança, é necessário que a área de Recursos Humanos atue com sinergia junto à equipe de segurança, cuidando dos procedimentos destinados a mensurar a confiabilidade no pessoal e nos processos de seleção. De outro lado, se considerarmos as ameaças causadas pelo público externo - que não pertence à empresa, mas que dela faz uso, de alguma forma - é importante adotar medidas preventivas de proteção física, eletrônica e lógica, para mitigar as possíveis ameaças. A adoção de programas de divulgação dos processos de segurança, de modo a criar uma “cultura de segurança” entre empregados, fornecedores, prestadores de serviço e clientes, é fundamental. Tal procedimento permite maior visão das vulnerabilidades e conseqüente aplicação de medidas corretivas. Já a reação, está relacionada à disposição inteligente e correta dos meios de proteção, sejam eles humanos, lógicos, eletrônicos ou físicos. Para que os procedimentos de reação funcionem efetivamente, os mesmos devem estar escritos, aprovados e testados nos planos de contingência e comunicações, com clara definição de suas respectivas estruturas, pessoal designado, auditorias, etc. Diante de situações de insegurança, fica claro que a única resposta eficiente é uma estratégia de planejamento e ação adequada ao porte, características e atividade da empresa. Um programa que combine proatividade, prevenção e reação, além de criar condições objetivas de segurança, supera a dúvida e o medo, impedindo a surpresa e a intimidação. Se assim for, é possível romper o ciclo da insegurança.
(*) José Tarcisio de Carvalho Neves, CPP, DSE Diretor Superintendente da Emforvigil S/A
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