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Pela terceira vez participei de um seminário internacional sobre China e Índia com renomados professores e mpresários chineses e indianos. Cravejamos os palestrantes de perguntas difíceis sobre a realidade dos dois países que, como sabemos, têm enormes problemas.
Só para citar alguns, a Índia tem 1 bilhão e 100 milhões de habitantes, dos quais 85% estão entre os que lutam para sair da pobreza, os pobres e os desesperadamente miseráveis. Isso soma nada menos que 935 milhões de indianos, ou seja, cinco vezes mais do que a população brasileira. Na China, com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, há 200 milhões de miseráveis andarilhos que deambulam pelo país e 800 milhões de campesinos em situação pouco favorável.
O que mais me chamou a atenção é que, mesmo sob cerrado ataque das perguntas que fizemos, nenhum dos palestrantes falou mal de seu país e de seu povo. Todos buscaram defender o seu povo, a sua cultura, as tradições, mostrando o lado positivo e dizendo da luta que todos têm para melhorar as condições de vida. Mesmo quando fazíamos fortes acusações, os palestrantes e professores, ao concordar, buscavam mostrar outra visão, uma ótica diferente de se olhar para seus países, separando, com clareza, a nação e o povo dos atuais governantes de quem poderiam até discordar.
Já participei de inúmeros seminários sobre o Brasil no exterior, onde os palestrantes eram brasileiros. Todos falaram mal do Brasil. Eram eles os primeiros a falar da corrupção, da pobreza, das favelas, da péssima educação, da ausência de saúde pública, etc. Num dos seminários, um participante inglês, perplexo ao ver os próprios brasileiros falarem tão mal do Brasil, disse nunca ter assistido nada igual em termos de ausência de sentimento nacional. E o seminário, por ironia, era para “atrair investimentos para o Brasil”. Onde está a diferença?
A diferença é que o brasileiro parece não conseguir distinguir o Brasil, como nação, dos governantes do momento a que se está referindo. Confundindo a nação e a pátria com o governo, o brasileiro não pode falar bem do Brasil, pois acredita estar falando bem dos atuais governantes. Essa confusão entre a nação (Brasil) e o governo, não nos deixa falar bem do Brasil (nação), deixando os estrangeiros perplexos e afastando investidores de longo prazo.
É claro que podemos ser contra ou a favor de um determinado governante. Mas não é lógico que sejamos contra o Brasil como nação e nos neguemos a enxergar qualquer fato positivo que, como nação e povo, tenhamos conseguido realizar. Os governos são transitórios. A nação é permanente.
Confundir o Brasil com seus governantes é como deixar de torcer por um time todas as vezes que mudar o técnico. Não admitimos que alguém fale mal de nosso time, mas permitimos e até falamos mal do Brasil.
Ao estudar o Brasil em relação à China e Índia, fica muito claro que temos inúmeras vantagens comparativas muito atraentes para investidores. Mas só conseguiremos fazê-los investir aqui, quando pararmos de falar mal do Brasil e só enxergar as vantagens de nossos concorrentes.
Pense nisso. Sucesso!
Luiz Marins Motivation & Success 27 de maio a 2 de junho de 2.007. ANTHROPOS MOTIVATION & SUCCESS motivacao@anthropos.com.br - www.anthropos.com. |